terça-feira, 12 de novembro de 2013

O navio Escola Sagres ainda ostenta a cruz suástica em certas partes do motor e que tem dois irmãos iguais?


O atual navio escola “Sagres” foi construído nos estaleiros da Blohm & Voss, em Hamburgo, tendo sido lançado à água em 30 de outubro de 1937. O navio, então batizado com o nome “Albert Leo Schlageter”, foi o terceiro de uma série de quatro navios escola à vela, construídos para dar instrução aos cadetes daKriegsmarine (Marinha de Guerra). O primeiro chamava-se “Gorch Fock”, o segundo “Horst Wessel” e o último (que nunca chegou a ser acabado e foi afundado em 1947) “Herbert Norkus”. Os navios possuíam armação em barca, caraterizada pela existência de três mastros, com os dois mastros de vante (traquete e grande) a envergarem pano redondo e o mastro de ré (mezena) a armar pano latino.
Sob bandeira alemã, o “Albert Leo Schlageter” foi um navio azarado. Na primeira viagem, em 22 de março de 1938, colidiu com um navio mercante, sob cerrado nevoeiro, em pleno Canal da Mancha, sofrendo danos significativos que obrigaram a prolongadas reparações em estaleiro. Mais tarde, quando efetuava uma viagem de instrução de cadetes, em 4 de novembro de 1944, embateu numa mina no mar Báltico, abrindo um enorme rombo no casco. O navio esteve próximo de afundar, apenas tendo aguentado à superfície devido à sua compartimentação estanque e ao facto de navegar na companhia do “Horst Wessel”, que aguentou o “Albert Leo Schlageter” até à chegada de um rebocador. Mesmo assim, morreram neste trágico acidente 18 militares da guarnição.
No final da II Guerra Mundial, os quatro navios escola à vela foram sorteados pelas potências aliadas. O “Albert Leo Schlageter”, bem como o “Horst Wessel”, couberam aos EUA, que decidiram entregar o segundo à sua Guarda Costeira, para servir como navio escola, sob o nome “Eagle”. Quanto ao “Albert Leo Schlageter”, foi cedido ao Brasil por um preço simbólico (5000 dólares), como compensação pelas perdas sofridas pela navegação mercante brasileira, vítima dos ataques dos célebres U-Boats alemães. Foi então rebatizado como “Guanabara”
Ao serviço do Brasil o navio manteve a sua figura-de-proa original, a águia imperial alemã, mas foi-lhe retirada a cruz suástica que originalmente ostentava na base, contudo várias peças mecânicas do navio, tem marcadas a cruz suástica, nunca tendo sido retiradas por razões óbvias.

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