O atual navio escola “Sagres” foi construído nos estaleiros
da Blohm & Voss, em Hamburgo, tendo sido lançado à água em 30 de outubro de
1937. O navio, então batizado com o nome “Albert Leo Schlageter”, foi o
terceiro de uma série de quatro navios escola à vela, construídos para dar instrução
aos cadetes daKriegsmarine (Marinha de Guerra). O primeiro chamava-se “Gorch
Fock”, o segundo “Horst Wessel” e o último (que nunca chegou a ser acabado e
foi afundado em 1947) “Herbert Norkus”. Os navios possuíam armação em barca,
caraterizada pela existência de três mastros, com os dois mastros de vante
(traquete e grande) a envergarem pano redondo e o mastro de ré (mezena) a armar
pano latino.
Sob bandeira
alemã, o “Albert Leo Schlageter” foi um navio azarado. Na primeira viagem, em
22 de março de 1938, colidiu com um navio mercante, sob cerrado nevoeiro, em
pleno Canal da Mancha, sofrendo danos significativos que obrigaram a
prolongadas reparações em estaleiro. Mais tarde, quando efetuava uma viagem de
instrução de cadetes, em 4 de novembro de 1944, embateu numa mina no mar
Báltico, abrindo um enorme rombo no casco. O navio esteve próximo de afundar,
apenas tendo aguentado à superfície devido à sua compartimentação estanque e ao
facto de navegar na companhia do “Horst Wessel”, que aguentou o “Albert Leo Schlageter”
até à chegada de um rebocador. Mesmo assim, morreram neste trágico acidente 18
militares da guarnição.
No final da II Guerra Mundial, os quatro navios escola à vela
foram sorteados pelas potências aliadas. O “Albert Leo Schlageter”, bem como o “Horst
Wessel”, couberam aos EUA, que decidiram entregar o segundo à sua Guarda
Costeira, para servir como navio escola, sob o nome “Eagle”. Quanto ao “Albert
Leo Schlageter”, foi cedido ao Brasil por um preço simbólico (5000 dólares),
como compensação pelas perdas sofridas pela navegação mercante brasileira,
vítima dos ataques dos célebres U-Boats alemães. Foi então rebatizado como
“Guanabara”
Ao serviço do Brasil o navio manteve a sua figura-de-proa original, a
águia imperial alemã, mas foi-lhe retirada a cruz suástica que originalmente
ostentava na base, contudo várias peças mecânicas do navio, tem marcadas a cruz
suástica, nunca tendo sido retiradas por razões óbvias.
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